terça-feira, 2 de novembro de 2010

O enxofre

O meu ambiente me fatiga, me limita. Não ouço o que quero, vejo o que me desagrada. Talvez precise fugir de lá, criar um recanto só meu, o meu desespero me cansa. Sou fútil e hipócrita, perdido achando que está se encontrando, mas apenas distancio-me daquilo agradável, que aquece minha essência, infla meus pulmões e agrada minha visão. Sinto-me perdendo tempo (mesmo negando isso a mim e a meus amigos: "Somos tão jovens! Temos tempo ainda para fazer o que quisermos!" - Clichê barato!), já tenho saudade dos meus 19 anos, daquilo que não tive e do que eu pensei que nem existia e me fez enxergar ao menos um pouco mais nítido. Só que eu quero mais que isso! Não me sinto completo, suficientemente íntegro, falta parte de mim, estou atado por uma vontade minha, mas que eu não desejo. Quero fazer arte (e novamente falo isso), e por que não fazer?! Com as palavras, com o cérebro não sou tão bom assim, talvez em outro meio em entre em paz comigo mesmo, não quero virar um neurótico que só pensa e escreve quando se sente desesperado. Eu tento me achar, me buscar, mas meus passos demonstram justamente o contrário, cada vez me enrolo mais com aquilo que tenho quase certeza que não me satisfaz (não me satisfaz). Há tudo de diferente para eu me concentrar, palavras e olhares e tatos a serem trocados, não um ambiente frio e de plástico - isso me fatiga, mais que aflige. Talvez eu canse em demasia (talvez eu fale "talvez" demais), talvez eu devia escrever não sobre o que sinto, racionalizar só me leva ao abismo a psiquê (eu poderia largar tudo e ir estudar isso!). Mas por que não esperar mais uns anos? Eu sempre entro em contradição. É. Acho que é isso mesmo. Uma briga das "instâncias psicológicas", mas não acho uma saída para meu eu. Acho que vou aprender a meditar, a respirar, a sentir o que acontece, às vezes fico cego. Não queria ter escrito muito do que escrevi. Mas foi isso que saiu, e torço para que não saia sempre assim.

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