terça-feira, 11 de junho de 2013

Fúria amansada descansa

Eu só queria gritar até não sair mais nada de minha boca. Mas não consegui, tive vergonha de que pudessem ouvir. Então gritei em silêncio e a fúria da garganta foi para meus pés. Então eu corri até meus pés ficarem queimados e o que eu sentia fazer mal a mim mesmo. Senti-me como golpeado algumas vezes por latarias pratas e pretas, mas não aconteceu. Talvez me arrependesse depois. E chorasse, como sempre eu faço. Os pés já se acalmaram, minha voz não sai mais tremida.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Susto

Olhos marejados do medo de um coração cravado com faca de gume afiado, da navalha que corta a carne e jorra o sangue para todos os lados. Sensação suficiente para parecer que estava no meu quarto como se ele fosse um aquário cheio de um líquido espesso, vermelho e morto. Mas era só um pesadelo acordado, abri os olhos e a luz voltou a entrar. Foi suficiente para perceber que te perder traria para mim um vazio, infinito e doído.