quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Como queria seguir os meus conselhos

Tenho um certo medo de Los Hermanos. Lembro-me aos 16, não foi legal, foi péssimo. Mas foi bom, a cada vez que passa consigo digerir mais e mais, o problema é que nesse ponto eu só rumino. Tento aprender com essas merdas que ocorrem (não consigo pensar em nem uma outra palavra melhor que "merdas"), mas mesmo assim não consigo, faço conselhos que não entendo, e os repasso. Ontem estava efusivo, ninguém estava, voltei ao normal, péssimo. Lembro de "O Vencedor", de Alberto Caeiro. Vamos ver se da próxima vez em consigo, se bem que a próxima vez já foi e eu não consegui. Sempre caio nas ilusões e expectativas que eu mesmo invento.
"Eu que já não sou assim
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só para viver em paz"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Na Central

Sento-me lá com certa frequência, com meus livros chatos e meu estojo azul, e ele fica me olhando, terno preto, gravata fina, cabelos penteados, seus olhos em mim, mão no queixo. Desconcentro-me facilmente. Abaixo. Continuo minha leitura entediante, princípios e normas esparsas, não absorvo nada desse tempo perdido. Penso. Ele continua me olhando. Como ele passava suas tardes por aqui? Será que escrevendo em um buraco sujo qualquer? Legítimo ele era com seu ópio e absinto no fundo da sala, ignorando os gordos barões falantes, que seus pais continuavam a pagar. Outras épocas. Época quando, na Liberdade, um casarão pegava fogo, fervido durante semanas a princípios ativos variados, na companhia de seus amigos de casaca preta, ainda garoava nessa cidade. Queria ser seu discípulo, talvez voltasse a reinar o sentido que busco. É o único que me agrada, tento sentir sua ânsia, lucidez, começo a entendê-lo melhor que outrora, estou na mesma situação dele. Quiçá ainda vague por aqui e torne a atormentar os estudantes com seu bafo. Acho que não. Há tantos lugares melhores que este para se passar a eternidade. Volto aos meus livros. Livros.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Não quero virar uma vitrola. Aqui não será monotemático!

She's not so special
And now I'm nailed above you, pushing from my side
It's with your sins that you have killed me
Thinking of your sins I die
Thinking how you'd let them touch you
How you'd never realise that I'm ripped
And hang forsaken
Knowing never I will rise again
Now you wish she'd never come back here again
Oh, never come back here again

sábado, 14 de agosto de 2010

Café, leitura, janela.

"A menina escreveu um conto. 'Mas seria muito melhor se você escrevesse um romance', disse a mãe. A menina construiu uma casinha de boneca. 'Seria muito melhor se fosse uma casa de verdade', disse a mãe. A menina fez um pequeno travesseiro para o pai. 'Seria mais útil se fosse uma colcha', disse a mãe. A menina cavou um buraquinho no jardim. 'Seria muito melhor se tivesse cavado um buraco grande', disse a mãe. A menina cavou um buraco grande e foi dormir dentro dele. 'Seria muito melhor se você dormisse para sempre', disse a mãe."
A mãe - Lydia Davis