sábado, 24 de dezembro de 2011
No Calor
Suor e fadiga, meus fluidos se vão de mim mais facilmente do que o desejado. Perco parte de minha energia vital nessas explosões sem em nada ajudar - o maior prejudicado sou eu. Então por que insistir? Por que não é qualquer um? Por que quero que tirem suas vendas? Talvez o único que esteja com a venda nos olhos seja, mais uma vez, eu. E fica quente mais uma vez, mais algumas detonações, já sinto o zumbido nos meus ouvidos, meus olhos só enxergam vultos, desespero-me, perco as pessoas que estão ao meu redor. Não era isso que queria, porém ninguém age totalmente por seu querer e pensar. Está calor, vou-me deitar para ver se isso passa.
O que vocês esperam de mim.
Não sou um que simplesmente não conteste a mim mesmo ou a vocês. Eu não aceito, eu não creio, eu não quero, e isso não faz de mim um ignorante que pensa que não se tratam de opiniões. Não se tratam de opiniões, se tratam de visões! Você não está errado e eu certo, você não viu o que eu vejo. É disso que se trata. Querem pisar no meu calo? Desculpem-me se foi rude, tenho noção do quão idiota sou, e isso também me fatiga e me faz sentir mal (assim como ver pessoas comerem lixo e morarem na rua, apesar de vocês acharem normal). Eu não deveria ser tão idiota, pelo menos não me sinto tão idiota em outros ares; deve ser pelo fato de que lá eu me sinto um ser que não está em calmaria. Me deseje "feliz natal" e terá muitas famílias que ficarão felizes com o que você sente ser pouco para o seu café da manhã de uma segunda-feira qualquer. Eu não quero uma casa de campo ou de praia e tampouco um carro esportivo. Por que querer pouco e o suficiente é, para você, um pecado que faz de mim um monstro? Acredito nos homens, em nós tenho fé e esperança, e espero lutar por nós também, logo, sou um babaca? Coma o seu peru e se sinta satisfeito. Seja feliz, afinal, o que mais importa é você mesmo.
sábado, 19 de novembro de 2011
Cego e Surdo
Quase uma semana desde o nosso batismo de chuva, de lama, de luz, de sussurros, de gritos e ainda estou em êxtase! Tentei ficar alguns dias sem ouvi-lá, mas volto agora a pensar no que vi, ouvi e senti no dia 14 de novembro deste presente ano de nossa Era pós-cristã: transcendental é o nome. Eles existem, não são só vozes que nos põe em contato conosco mesmos, são carne e sangue, cozidos e não crus. Cego de ouvir e surdo de sentir.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Enquanto der pé
É uma ânsia que me toma de querer encontrar a luz disso, sempre desejando que eu me cegue a tal ponto que entenda a mim mesmo e os que estão comigo. Acho que eu consigo esperar mais um pouco enquanto corro atrás. A expectativa de ver revelada o que a luz marcou na fita química é a mesma que pretendo ter todos os dias.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sem Sentido
Mais alguns dias em meu casulo, porém uma mesma inquietação me chega em alguns momentos. Poderia estar entre o concreto e seus jardins espirrando fogo nos que se aproximassem, mas algum santo, força ou deus cuida de minha mãe e suas preocupações.
Mais alguns dias gastando as pilhas do controle remoto da televisão, com seus canais sendo freneticamente mudados em busca de algo ou alguém que me conforte. Só queria beber algo, parece que é isso que me acalenta, consigo me sentir quando estou embriagado.
– Por favor, uma dose mais!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Vergonha não mata
Porque se matasse teria de enterrar meu corpo todo em uma vala e esperar algumas semanas para de lá sair como um morto-vivo.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
O Desespero
Eu não sei o motivo das minhas condutas. Talvez eu entenda, se tudo der certo, o porquê de eu me magoar e de magoar aqueles que estão a minha volta (se esse for o caso). Só sinto que eu devo fechar em meu casulo e evitar que as pessoas que eu gosto sofram pela minha mesquinhez. Só se desculpar não cura as feridas que abri, mas é esse o máximo que eu posso fazer. Eu queria me enterrar e nunca mais ver os seus olhos. O plurarismo não é o meu ser, eu preciso me fixar a um porto seguro. Alguém me salve, eu não consigo mais respirar!
sábado, 27 de agosto de 2011
Saúde
A cada gole deste vinho, meu amor
sinto sua língua com seus espinhos
tocar o fundo de minha garganta.
E o álcool cor de uva
junta-se
ao sangue cor de morte.
Dele beberei mais um pouco.
sinto sua língua com seus espinhos
tocar o fundo de minha garganta.
E o álcool cor de uva
junta-se
ao sangue cor de morte.
Dele beberei mais um pouco.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Castelo de areia
Pois é. Eu realmente não entendo algumas de minhas ações, pior talvez, eu pouco entendo aquilo que vem à minha cabeça. Não queria que viessem, mas elas insistem em chegar, e quando logo passa e finalmente sinto um alívio, percebo que é passageiro. E elas voltam. São sempre iguais! Os motivos eu sei totalmente, apenas tento não demonstrá-los ou negar que existam, que eu posso viver muito bem comigo mesmo, mas eu só me engano. Só queria um litro de vinho e um maço de cigarros. Tudo ofusca muito a minha visão, e eu ponho muito fé e esperança - mais nos outros que em mim. E isso vai me dilacerando e não entendo dessa minha crença que desabará, ou logo ou depois.
sábado, 9 de julho de 2011
Dedilhar
Mais eu percebo que só estralar os dedos não ajuda muita coisa. Quanto mais leio, mais gosto e mais sinto a necessidade de aprimorar esses rascunhos. Penso como será interessante me ver 20 anos mais novo pelo simples fato de ler-me novamente. Espero que tudo isso melhore, que eu ainda consiga crescer e melhorar tudo isso. Chegar a um nível aceitável para mim mesmo. Enquanto isso continuo a estralar os dedos.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Lua Minguante
Hoje terminei metade do meu sacrilégio metafísico. Talvez ter chegado por lá ainda cedo tenha contribuído para demorar além do que queria. Poderia ter aproveitado tanto, nunca aproveito tanto. O próximo passo já chegou. Continuarei caminhando, é só o que possa fazer e com as mãos abertas quase por apanhar as flores ao redor.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Trilha Sonora
Caminhar no frio de Junho. As árvores vão passando lentamente pela luz do sol, o vento esfria o meu nariz, a caminhada é infinita (pelo menos eu queria que fosse). Sinto todos os filmes que estão em mim e ainda não fiz, quero mostrar a todos o que eu vi e senti. Fiz o meu primeiro hoje, e a música dele não sai mais da minha cabeça.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Lixo
Jogue tudo nele, com todas as manchas, e imperfeições. Recicle de uma só vez, dê um passo a frente. Sempre quanto mais é melhor. Colecione olhares e os guarde em palavras. Recicle-as.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Srta Ledoux
Com uma simples frase me veio à cabeça uma cena horripilante, das paredes saíam mãos e unhas que me cravaram à carne, aos olhos, à boca, e pensamentos. É muito fácil desconstruir um castelo de cristal que não existe, e tudo o mais em seu entorno às chamas se pôs. E foi evidente para mim e para o meu amigo ao lado o que ocorreu. Minha jaqueta tornou-se pesada demais, meus cabelos tornaram-se crespos além do que previa. Entrei em um filme de terror, que em alguns segundos acabou e acabou com aquilo que estava nutrido há tempo. Impressiono-me da minha ingenuidade (aquela tal como eu queria manter intacta), e por causa da presença dela eu ainda me esfolo e me queimo. Foi uma frase que soou como uma labareda. Só consigo pensar no fogo naquele carro, no meu cérebro frágil virando carvão. E toda a ingenuidade que ponho em mim acabou por pô-lá naqueles que penso que gosto, e nessa falsa idéia construo e ao mesmo tempo destrói-se o que sinto (ou sentia). Não sei qual será minha próxima reação. Acho que estou muito velho para tudo isso, talvez realmente precise me curar desse mal (desse que um conhecido faz ficção, mas que eu não consigo fazer). Entro novamente em um quarto cheio de fogo, paredes que caem, e eu as vejo - realmente estão caindo. Entro no sonho que é o terror daquele que tem a repulsa. Será que o que nunca foi transformar-se-á em simples nojo? Novamente isso me ocorre, e logo ocorrerá novamente. Eu não entendo porque elas continuam com essas fábulas, e eu sempre caio, no fundo há chamas. Aproximo-me cada vez mais da necessidade de não prover ao mundo um ser como eu, tomo consciência que o prefixo 'a' faz total sentido a mim. Ou será que devo enrijercer-me e não mais ser um arquiteto destes castelos que inadvertidamente insistem em cair dos céus? Se fosse pra ser um número, eu não mais saberia em qual estou. A repulsa da senhorita Ledoux não me sai da cabeça, é nisto que estou neste momento.
domingo, 22 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Direito
Ementa. Ministro. Hegel. Kant. Caetano. Nietzsche. Afeto. Fernando Pessoa. Olimpo. Sartre. Rui Barbosa. Chico Xavier. Amor.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
20 e 1
Um passeio gelado pelos campos daqui nunca me fez tão bem. É bom sentir, ainda mais na companhia daquele que me originou. Um almoço simples, apesar do hálito de álcool com limão. Continuávamos pelo mesmo passeio, flores no asfalto, névoa a meio-fio. Cruzamos com uma tal de Angélica, e ali mesmo, ainda com o mesmo Sol e hálito e névoa, fizemos nossa festa. Foi uma comemoração que havia até esquecido, mas comemoramos da mesma forma. Voltamos ao passeio. Sol já não mais estava lá, mas o peito cheio. Adormeci.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Ponto Fraco
Mãos nos queixos, cada qual com seus cabelos para um lado. Dedos todos juntos aos reflexos dos sorrisos, bocas entre-abertas. Olhos cintilantes. Já basta. Meu ponto fraco sou eu.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Meu
Eu só quero o meu canto, onde eu possa ver e ser aquilo que pretendo ser. Se é que isso é possível. (E eu ainda insisto em escrever quando não estou em mim, são nos extremos que essa tal de vontade chega até mim).
domingo, 17 de abril de 2011
Samba, Ivan.
Nada melhor que ouvir de um velho sábio o que deve ser feito.
Agora tudo ficou mais doce. E minha cabeça não está no Chile.
Agora tudo ficou mais doce. E minha cabeça não está no Chile.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Não é culpa da hermenêutica
Não há muito mais o que dizer sobre isso. Eu realmente aproveito o clima daqui, é da chuva ou da garoa que elas mais gostam. Todas com seus gorros e cachecóis. Mas ainda estamos no Verão, talvez alguém é que tenha antecipado as estações - não que faça alguma diferença nessas terras ou ainda mais por aqui, que é sempre cinza e úmido. Eu gosto, pretendo manter isso em mente. Foi apenas um olhar tosco, que já me fez o dia (surgem gargalhadas da minha ingenuidade, ou da minha idiotice, como nunca em tantas vezes li por aí).
sábado, 5 de março de 2011
Xavier
Eu só queria sentir tudo isso. Não queria um copo de algo a mais. E a censura se faz presente em mim. Desistir é sempre mais fácil, criar uma imaginação qualquer. Isso me enfurece, inverto o que queria. E assim tudo continua intacto a mim, e permaneço vulnerável. Das línguas todas a que mais me causa medo. Cabelo, boca, pés, olhos. Medusa. E eu intacto.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Rasgar
É só isso que eu desejo. Rasgar meu peito e sair correndo de mim, daquilo que eu me tornei ao entrar em um buraco sem fim, que não me deixa fugir nem respirar, nem ver, nem sentir.
Assinar:
Postagens (Atom)

