sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Melpômene

Tem uma ao meu lado. Mas essa não é uma das minhas, é apenas (mais) uma das belas garotas pelas quais nos apaixonamos (já dizia o nosso grande amigo Joel). Sem mais nem menos deixamos de ser levados conscientemente e nossos olhos se guiam sozinhos, como se não precisassem de mais nada além do ponto de nosso interesse. E que raios de interesse é esse? E porque é que eu não tento nada mais além? Talvez seja um medo recalcado que algumas delas já me provocaram (mas daí lembro do sábio Caeiro). Eu não preciso de nada mais, crio uma fantasia qualquer, ameaço uma troca de olhares, acaba em uma conversa sobre dança, fotografia, cultura, livros, cinema...uma troca de elgoios inesperados, ao menos pela minha parte. Eu nunca espero nada, eu não sei o que quero, quem saberá o que elas querem (talvez algum estudante de psicologia mais exaltado tente procurar essa resposta)? São inesperadamente fulminantes, já fui apaixonado por 2 vezes, dessas paixões que vem e vão instantâneamente mas que já são suficiente para não esquecermos. Lembro-me de conselhos de um amigo de meu pai: "Sempre faça tudo o que tenha que ser feito de uma forma apaixonada, apaixone-se sempre!". Cabeça raspada, batom vermelho, tatuagems, camiseta rasgada, vestido florido, roupa de brechó, sapatos inusitados, fotografia e danças, e eu com meus estudos apáticos...Espero que alguma delas também tenham se entusiasmado, que não procuravam apenas um cigarro ou um gole de minha bebida. Que fosse só para isso. Assim já estaria satisfeito em minha sepultura.

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