domingo, 25 de julho de 2010
Não me dou bem com músculos
Finalmente encontro um momento para a reflexão. O mais estranho é que só a fazemos quando surge algum imprevisto. Serão algumas palavras jogadas, não tenho coesão, logo lembro-me das aulas de redação, quiçá sou muito apegado a normas. É. É isso. Faço-me de um liberal, daquele tipo que gosta de fugir de alguns conceitos, talvez sou quando estou só, ou quando esses conceitos não me afetam. Era pra ser minha última noite aqui, e foi. E volto feliz, uma felicidade me cerca, e esbravejo comigo mesmo, não era pra eu estar assim era pra estar revoltado, puto!, "na bad" como carinhosamente eu e meus amigos tanto gostamos de falar, e não sei porque tentamos evitar que alguns de nós adentre. O que será que vai acontecer com a gente? Aonde foi parar aquele grupo que passava noites vendo e discutindo filmes, livros, idéias, bebericando nos seus copos de plástico um líquido colorido qualquer? A culpa é minha. Queria que voltássemos ao início, quando cada um não havia escolhido o seu caminho, e como esconderijo refugiávamos em nós mesmos, quatro pessoas semelhantes, eu me vejo em cada uma delas, às vezes penso que eu próprio já não sou, via-me e sentia dividido em três: os cabelos enrolados, um carro aonde me sinto incrivelmente bem, o meu refúgio particular, as canções compartilhadas, os sorrisos sinceros (que eu agora já sinto falta), as mágoas que nos causamos, o que eu aprendi, as pessoas com as quais mais me identifico, repito: não sou uma, sou dividido em três. Não acredito em fatalismo, não há destino, predestinação, os fatos simplesmente acontecem e apenas parece que podemos interferir, não podemos; são produtos da nossa essência (independentemente do que venha a ser isso), não escolhemos nada, a abrangência pertencente ao saudoso livre-arbítrio é ínfima, ele não existe, é inventado. Acho que tenho a resposta: continuaremos a existir, torço para que os nossos planos incompreensíveis continuem intactos e possamos nos explorar além do pouco que nos conhecemos. São meus espelhos, vidros translúcidos pelos quais me vejo, apesar da sensação de desconhecimento. É isso, pensamentos jogados.
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Três: pai, filho e espírito santo. Amém!
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