Como me arrependo do dia 22 do mês de março do ano passado. Como me arrependo. Poderia ter ido sozinho também, sem medo da cidade que hoje me faz bem, dado um jeito, sei lá. Não fui. Só ouço a voz dele das gravações e as letras de um site qualquer de músicas. Ele conseguiu traduzir o que eu sempre sinto nas minhas relações amorosas, parece artificial, até parece que eu ofereço mais do que o outro pode me retribuir (seria a trilha sonora dos escritos durante esses dias). Eu sempre me desgasto mais quando tenho alguém para com quem me preocupar, afligir; sozinho eu me sinto mais leve, mas isso também me desgasta, eu não consigo ver uma alternativa pra mim mesmo.
Como pôde um homem pobre, de um local carente, um sambista escrever aquilo! É um resumo de nossas vidas, nossos sonhos vão sendo deixados para trás, não quero isso pra mim, quero continuar fiel a mim mesmo, ao que eu sinto, falar quando preciso, ficar quieto na maioria das vezes. Ele viu um moinho, eu sei que existe, mas não quero acreditar, é a minha ingenuidade, aos 19 anos ainda tenho esperança em mim. É a fé que um dia em comentei com alguém. Essa fé eu tenho, mesmo não achando meus sonhos tão mesquinhos assim, mas sei que essa parte foi escrito para o outro.
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