quinta-feira, 26 de maio de 2011
Srta Ledoux
Com uma simples frase me veio à cabeça uma cena horripilante, das paredes saíam mãos e unhas que me cravaram à carne, aos olhos, à boca, e pensamentos. É muito fácil desconstruir um castelo de cristal que não existe, e tudo o mais em seu entorno às chamas se pôs. E foi evidente para mim e para o meu amigo ao lado o que ocorreu. Minha jaqueta tornou-se pesada demais, meus cabelos tornaram-se crespos além do que previa. Entrei em um filme de terror, que em alguns segundos acabou e acabou com aquilo que estava nutrido há tempo. Impressiono-me da minha ingenuidade (aquela tal como eu queria manter intacta), e por causa da presença dela eu ainda me esfolo e me queimo. Foi uma frase que soou como uma labareda. Só consigo pensar no fogo naquele carro, no meu cérebro frágil virando carvão. E toda a ingenuidade que ponho em mim acabou por pô-lá naqueles que penso que gosto, e nessa falsa idéia construo e ao mesmo tempo destrói-se o que sinto (ou sentia). Não sei qual será minha próxima reação. Acho que estou muito velho para tudo isso, talvez realmente precise me curar desse mal (desse que um conhecido faz ficção, mas que eu não consigo fazer). Entro novamente em um quarto cheio de fogo, paredes que caem, e eu as vejo - realmente estão caindo. Entro no sonho que é o terror daquele que tem a repulsa. Será que o que nunca foi transformar-se-á em simples nojo? Novamente isso me ocorre, e logo ocorrerá novamente. Eu não entendo porque elas continuam com essas fábulas, e eu sempre caio, no fundo há chamas. Aproximo-me cada vez mais da necessidade de não prover ao mundo um ser como eu, tomo consciência que o prefixo 'a' faz total sentido a mim. Ou será que devo enrijercer-me e não mais ser um arquiteto destes castelos que inadvertidamente insistem em cair dos céus? Se fosse pra ser um número, eu não mais saberia em qual estou. A repulsa da senhorita Ledoux não me sai da cabeça, é nisto que estou neste momento.
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